O garçom que teria sido humilhado por um desembargador do Tribunal
de Justiça do Rio Grande do Norte foi afastado do trabalho e passou por
consultas com psicólogos após a confusão.
Segundo a administração da
padaria Mercatto, que fica na zona sul de Natal, o funcionário trabalha
na empresa desde a sua fundação e ficou "muito abalado" pelo episódio
registrado na manhã do último dia 29.
O desembargador Dilermando
Motta está sendo acusado de ter humilhado o garçom, antes de se envolver
em discussão com outro cliente da padaria, o empresário Alexandre
Azevedo.
O bate-boca foi filmado por clientes da padaria e as imagens
foram parar na internet. Um dos vídeos já superava 210 mil visualizações
nesta sexta-feira (3).
Segundo Azevedo, que estava em mesa ao
lado de Motta, o desembargador se irritou porque o garçom não colocou
gelo em seu copo e gritou com o funcionário na frente dos demais
clientes.
"Não satisfeito com esse escândalo, este senhor [Motta]
puxou o garçom pelo ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o
tratasse como excelência, e disse que deveria 'quebrar o copo em sua
cara", afirmou Azevedo em nota divulgada após o episódio.
O
empresário disse ter decidido intervir em defesa do garçom. Nos vídeos,
ele aparece gritando com o desembargador, a quem chama de "safado" e
"sem-vergonha".
O magistrado revida e se refere a Azevedo como "cabra
safado" e "endemoniado". O dono da padaria, Adelino Marinho, disse que a
empresa deu total apoio ao garçom e optou por conceder férias ao
funcionário após o caso. Em nota, o desembargador Motta negou ter
humilhado o garçom ou praticado abuso de autoridade.
"A verdade é
que um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um cliente a um
garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de um terceiro
com ameaças, gritos e total desrespeito ao público presente", disse. No
texto, Motta afirma ainda que "sem nenhum propósito revanchista, as
medidas judiciais cabíveis serão adotadas".
O episódio motivou a
abertura de um abaixo-assinado contra o desembargador no site de
petições online Avaaz, que contava nesta sexta-feira com quase 10 mil
assinaturas.

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