Tenente Iranildo Félix sofreu atentado na Grande Natal; ex-mulher foi morta.
Tenente Iranildo Félix sofreu atentado em Macaíba (Foto: Divulgação/PM e Reprodução/Inter TV Cabugi)
Depois do atentado sofrido pelo tenente da Polícia Militar Iranildo
Félix - suspeito de matar o professor e lutador de MMA Luiz de França
Trindade,
assassinado na última segunda-feira (10) na zona Sul de Natal
- a advogada Juliana Melo anunciou que deixará a defesa do oficial da
PM. "Temo pela minha vida. Não vou mais ficar com o caso", revelou ao
G1.
A advogada acrescenta que não sabia nada sobre o envolvimento do PM na
morte do lutador de MMA. "Da boca dele nunca saiu nada. Não confessou,
nem me contou nada", afirma Juliana Melo.
De acordo com o
cabo Josemário, do 11º Batalhão da PM de Macaíba, os responsáveis pelo
crime são dois homens, ainda não identificados, que fugiram em uma
motocicleta vermelha.
O tenente e a ex-mulher, Izânia Maria Bezerra Alves, de 31 anos,
estavam em um Fiat Uno cinza quando foram surpreendidos pelos suspeitos.
De acordo com a advogada Juliana Melo, o oficial estava usando colete à
prova de balas. O tenente foi socorrido para a Casa de Saúde São Lucas e
depois encaminhado para o Hospital Mosenhor Walfredo Gurgel, na zona
Sul de
Natal.
Izânia Maria Bezerra Alves era estudante de Direito e fazia estágio no Fórum de
Macaíba.
Segundo atentado
Na última quarta-feira (12) o PM já
teria sofrido um atentado
quando deixava o Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep), no
bairro da Ribeira, onde foi submetido a exame residuográfico para
identificar a presença de chumbo nas mãos.
“Tentaram matar ele.
Ele contou que foi seguido por dois homens numa
moto, que emparelharam com o carro dele.
Quando percebeu que o cara de
trás colocou a mão na cintura, ele jogou o carro em cima da moto. A moto
desviou e foi embora”, relatou a advogada.
Na ocasião, o tenente solicitou ao comandante geral da Polícia Militar,
coronel Francisco Araújo Silva uma arma e um colete à prova de balas
para se defender.
Izânia Alves, 31 anos, ex-mulher do tenente Félix
(Foto: Arquivo pessoal/Facebook)
Araújo informou que uma junta médica afastou Félix das atividades
policiais há dez meses, em razão de problemas psicológicos.
"O policial
foi considerado temporariamente incapaz para o serviço ativo. Ele não
pode portar arma de fogo no período em que está afastado", explica o
comandante geral da PM.
Mesmo afastado, o tenente responde diretamente
ao Comando do Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE).
Superdosagem
O comandante geral da PM disse ao G1 que Félix foi
socorrido a um hospital particular da cidade após ter ingerido uma alta
dosagem de medicamentos.
Segundo informações do Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (Samu), que prestou o socorro, o oficial foi atendido
na noite de quarta-feira.
O Samu não revelou que tipo de medicamento o tenente consumiu, nem deu detalhes sobre o estado de saúde dele.
O crime
Trindade foi assassinado a tiros por volta das 9h de segunda-feira (10)
na calçada da academia Alta Performance, que fica na Rua Serra da
Jurema, no conjunto Cidade Satélite, Zona Sul de Natal. O lutador levou
vários disparos de pistola e morreu no local.
Professor e lutador de MMA Luiz de França
(Foto: Luiz de França/Arquivo pessoal)
Segundo testemunhas, o suspeito de efetuar os disparos fugiu numa moto acompanhado de outro homem.
Perícia
O resultado do exame residuográfico realizado por Félix nesta
quarta-feira poderá ser questionado pela defesa do oficial.
“É um
resultado que é considerado discutível, já que ele é um policial militar
que manuseia arma com frequência”, explicou a perita Lydice Guerra,
subcoordenadora de Criminalística do Itep.
Ainda de acordo com o perita
do Itep, o resultado do exame deve ficar pronto em no máximo 10 dias. O
tenente nega qualquer envolvimento no crime.
“A informação que nós temos é que ele está de licença médica, e que não
poderia sair armado.
Mas, em casa, ele tem total liberdade de mexer na
arma na hora que bem entender”, acrescentou a perita.
A arma do tenente,
segundo o delegado que investiga o caso, não foi apreendida ou
periciada. “A arma dele é uma pistola 380.
O calibre das balas que
mataram o lutador são de pistola calibre ponto 40”, ressaltou Sílvio
Fernando, delegado titular da 11ª DP.
Investigação
Ainda de acordo com o delegado, o policial militar teria visto o
tenente logo cedo na Companhia de Polícia Militar do bairro Planalto,
Zona Oeste de Natal, utilizando um moletom verde e uma bermuda antes do
horário do crime.
"O PM não soube explicar por qual motivo o tenente
estava lá, já que ele está afastado e é lotado no CPRE (Comando do
Policiamento Rodoviário Estadual)", diz. As características batem com o
que foi dito em depoimento por de Ademir Júnior.
Academia onde aconteceu o crime
(Foto: Augusto Gomes/G1)
Motivação
Temos informações de que o
lutador teria se envolvido com a namorada do tenente”, afirmou.
"Houve um desentendimento, mas nada
muito grave. Não houve discussão mais pesada, nem agressão física",
disse a advogada Juliana Melo.
De acordo com a defesa, o policial fez uma aula experimental no fim de
janeiro na academia Alta Performance, onde o lutador foi assassinado,
porém não gostou do treinamento.
A advogada diz que, quando foi para o
segundo treino, o tenente decidiu não continuar e por já ter feito o
pagamento adiantado da mensalidade, teve o dinheiro devolvido. "A
mudança foi para uma academia da mesma rede", disse.
Ainda segundo Juliana Melo, o tenente acredita que foi apontado como
suspeito do crime devido ao desentendimento na academia e pelo fato de
ser policial.
"Os dois não tiveram mais nenhum tipo de contato após esse
desentendimento.
O oficial inclusive bloqueou a vítima nas redes
sociais para não ter mais contato", afirmou a advogada.
'Álibi fraco'
No depoimento, o policial afirmou ter ido a uma outra academia por
volta das 8h. No entanto, segundo o delegado, a biometria e as câmeras
do local mostram que o oficial da PM chegou às 10h08, logo após o
assassinato ter acontecido.
"O crime ocorreu antes das 10h", afirma
Sílvio Fernando. "Os percursos e os horários informados por ele não
batem. O álibi é muito fraco", acrescentou o delegado.
Apesar de não ter sido convencido pelo depoimento, o delegado explica
que ainda não tem elementos suficientes para indiciar o oficial da PM.
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