O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no processo do
chamado mensalão mineiro, renunciou ao seu seu mandato nesta
quarta-feira (19).
Na carta de renúncia,
o parlamentar diz que não concorda com as acusações do processo de
crimes de peculato e lavagem de dinheiro e critica o STF (Supremo
Tribunal Federal) e a Procuradoria geral da República. Azeredo diz ainda
que uma "tragédia desabou" sobre ele sobre sua família.
Na ação penal que tramita no Supremo, são investigadas denúncias de
desvio de dinheiro público durante a campanha de Azeredo, então
governador de Minas Gerais que disputava a reeleição, em 1998.
No último dia 7, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a condenação de Azeredo a 22 anos de prisão.
Ele teria desviado recursos do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais),
extinto, e das estatais mineiras Copasa e Cemig para sua campanha à
reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Em valores atuais, seriam
cerca de R$ 9 milhões.
Aliados do senador Aécio Neves
(PSDB-MG), que é pré-candidato tucano à Presidência da República, faziam
pressão nos bastidores para que o caso do mensalão mineiro não
atrapalhasse a campanha.
Ao ser questionado sobre a renúncia,
Aécio negou nesta quarta que o partido tenha feito pressão para que
Azeredo renunciasse.
"Que eu saiba não, nenhuma [pressão]", disse Aécio.
"A decisão é de foro íntimo, que tem de ser respeitada.
Ele vai se
dedicar agora à sua defesa. Eduardo é conhecido e reconhecido em Minas
Gerais como um homem de bem", afirmou.
Questionado sobre a
possibilidade de Azeredo não renunciar se isto atrapalharia o cenário
político e sua candidatura à Presidência da República, Aécio
desconversou: "Não vejo nenhuma interferência."
Em
4 de julho de 2007, o deputado federal Joaquim Roriz (então no PMDB-DF)
renunciou ao mandato depois de ser acusado de quebra de decoro.
Gravações telefônicas o mostram negociando a partilha de R$ 2,2 milhões
como ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Tarcísio de Moura .
Suplente
Se a renúncia se confirmar, o deputado João Bittar (DEM-MG) será efetivado na vaga de Azeredo.Hoje, Bittar é suplente. Ele ocupa a vaga deixada por Carlos Melles, que atualmente é Secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais.
No lugar de João Bittar, será chamado Ruy Adriano Borges Munis (DEM-MG). Mas existe a chance de o ex-deputado Edmar Moreira (PR-MG), conhecido por ter um castelo em Minas, assumir a vaga na Câmara.
Próximos passos
A denúncia da Procuradoria Geral da República foi aceita pelo Supremo em 2009.Outros acusados respondem a acusações na primeira instância da Justiça de Minas Gerais porque não têm foro privilegiado.

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