Atacante atua mais de 90 minutos, mas não consegue ajudar Atlético-PR a superar altitude de La Paz, decisiva para vitória dos bolivianos por 2 a 1.
Na arquibancada do estádio Hernando Siles, um torcedor do Strongest
exibia sua fantasia, registrada pela TV: o lençol branco de fantasma,
cobrindo o corpo, com a inscrição "altura".
Nada mais foi do que o
espelho da partida. Na temida altitude de 3.660m de La Paz, o Furacão
sucumbiu ao cheio de fôlego Tigre boliviano, que se fez valer da
velocidade e do maior pulmão para vencer os brasileiros por 2 a 1 e
avançar, na noite desta terça-feira, às oitavas de final da
Libertadores.
O time da casa, que completava 106 anos, assegurou a
segunda vaga do Grupo 1 - o Vélez Sarsfield terminou em primeiro ao
vencer em casa o Universitario-PER por 1 a 0.
O Atlético-PR bem que tentou. Lançou Adriano no ataque desde o começo
da partida.
Buscava decidir nos contra-ataques aliando a velocidade de
Marcelo ao faro de gol e experiência do atacante.
E o Imperador, se
ainda exibe má condição física, teve estrela ao empatar a partida no fim
do primeiro tempo - não marcava um gol havia dois anos.
Mas os gols de
Manoel (contra) e de Soliz decretaram a vitória dos bolivianos, que no
segundo tempo mostraram condição física muito maior.
Adriano marca
O Strongest fez valer a velha cartilha dos bolivianos em La Paz:
correria na altitude de 3.600m logo no começo para cansar o adversário.
O
Furacão cometeu um erro ao tentar entrar no jogo dos anfitriões, ainda
que explorando mais os contra-ataques.
Até a metade do primeiro tempo,
chegou a ter superioridade na partida. Mas depois, não fosse o goleiro
Weverton e a estrela de Adriano, poderia ter saído em grande
desvantagem, e não com o empate por 1 a 1.
Ainda fora de forma, Adriano volta a marcar, depois de dois anos, mas Furacão perde.
Com Adriano no meio da área, centralizado, pesado, sem condição física
de atuar numa partida em que o pulmão fala mais alto, a esperança recaía
sobre a velocidade de Marcelo.
Era dele que deveria sair o passe
decisivo para o Imperador - ou Ederson - apenas escorar.
E foi do camisa
7 a primeira boa jogada, quando arrancou pela direita e serviu Ederson,
na meia esquerda.
O camisa 9 bateu por cima. Faltava ao clube
paranaense, no entanto, a boa ligação com o ataque. Mirabaje sumiu.
Weverton, por várias vezes, tentava a linha direta buscando Adriano, que
nas duas primeiras aparições cabeceou mal, para fora, um centro da
esquerda, e foi travado pela zaga boliviana num giro para bater a gol.
Dos 25 minutos em diante, o Strongest passou a fazer a bola girar
melhor do meio para as laterais. Pablo Escobar e Reynoso partiam em
velocidade.
Sorte do Furacão que o camisa 18 não chegou a tempo para
mandar de cabeça o centro de Escobar pela esquerda.
Depois, pelo mesmo
lado, Reynoso serviu Chumacero, travado na hora por Cleberson.
Em outra
jogada, o atacante recebeu de Escobar, driblou Cleberson e bateu.
Weverton, milagrosamente, tocou com a ponta dos dedos para escanteio. E,
de novo, fez defesaça em novo tiro de Reynoso. Era a senha. O gol do
Strongest se aproximava.
E Weverton, herói até então, se afobou na saída de gol em um escanteio.
A bola voltou para a área, e Manoel, de cabeça, fez gol contra, aos 38.
Parecia que o Furacão sairia da primeira etapa com uma derrota.
Parecia, porque a estrela de Adriano começou a brilhar.
Depois de boa
cabeçada por cima do gol, o camisa 30 escorou para as redes centro na
medida de Marcelo, aos 47 - mais uma vez, o camisa 7 aparecia decisivo.
Delírio do Atlético-PR e do Imperador, que não marcava um gol havia mais
de dois anos - seu último foi contra o Botafogo-SP, pelo Corinthians,
no Paulistão, dia 25/02/12.
Segundo tempo
Adriano saiu de campo trocando camisa com seu marcador, o brasileiro
Jefferson Lopez. Mas acabou aí a boa vizinhança. O Strongest voltou com
tudo.
O técnico Miguel
Ángel Portugal mexeu logo aos 8 minutos, tirando Ederson para pôr
Zezinho.
O atacante saiu insatisfeito, mas o técnico parecia adivinhar o
que estava prestes a acontecer.
Aos 10, Soliz avançou nas costas de
Natanael e, num meio centro meio chute, fez 2 a 1, desempatando a
partida.
O Furacão dava sinais de cansaço. Cleberson tropeçou, e Reynoso só não
marcou porque Weverton fechou o ângulo e salvou.
Adriano andava em
campo, e Miguel Ángel Portugal fez outra alteração, ao trocar o apagado
Mirabaje pelo garoto Marcos Guilherme.
O Strongest, muito mais inteiro,
perdia mais um gol - Pablo Escobar mandou para fora um passe na medida
de Reynoso.
Mesmo cansado, o Atlético-PR se animou e foi para cima. Natanael soltou
uma bomba que assustou a torcida do Strongest. Aos 39, Crislan entrou
no lugar de Paulinho Dias.
O Furacão partia para o tudo ou nada. O
Strongest fez sua cera. Cristaldo, que havia entrado no lugar de Soliz,
caía e rolava no gramado.
Escobar perde gol feito aos 47. Ainda havia
uma esperança. A partida ia até os 49. Mas a festa foi da torcida do
clube aniversariante, que, 20 anos depois, voltou às oitavas.
a 42 anos a marca da economia

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