terça-feira, 29 de abril de 2014

Carlos Alberto de Nóbrega diz: "era gago, feio e sempre fui péssimo aluno"

Em entrevista durante almoço no SBT, humorista fala sobre "A Praça é Nossa", ex-mulher, carreira e critica Roberto Justus



Carlos Alberto de Nóbrega diz:
 


Um dos nomes mais importantes da televisão brasileira tem duplo motivo para comemorar. No mês de maio, Carlos Alberto de Nóbrega completa 60 anos de carreira e 27 anos no ar com “A Praça É Nossa”, no SBT.

Por isso, nas próximas semanas a emissora prepara alguns especiais para prestigiar um de seus mais ilustres contratados.

Nesta segunda (28), o SBT promoveu um almoço com Carlos Alberto de Nóbrega e o NaTelinha esteve presente. Entre um prato e outro, a equipe do site teve uma gostosa conversa com o humorista.

Confira:

NaTelinha - O seu pai Manuel de Nóbrega foi um dos precursores da televisão. Por que você decidiu trilhar o mesmo caminho?

Carlos Alberto de Nóbrega - Minha vida artística começou no rádio antes mesmo de eu saber escrever.

Meu pai me levava para trabalhar com ele quando eu ainda era criança. 

Viver rodeado de pessoas famosas era normal pra mim. Passei a minha infância em Niterói, no Rio de Janeiro, e eu me lembro que aos 5 anos de idade fiquei deslumbrado com aquele aparelho que meu pai usava diariamente, uma máquina de escrever. Desde então escrever se tornou a minha paixão.


NaTelinha - Você nunca pensou em ter uma profissão diferente?

Carlos Alberto - Na minha adolescência decidi que seria engenheiro.

Só tinha um pequeno detalhe: eu não gostava de estudar. Eu era o burro da família. Eu era gago, feio, e sempre fui um péssimo aluno. 

Repeti de ano três vezes e tinha notas baixas em matemática, física e química... como  poderia ser engenheiro? Fui aconselhado a mudar de planos, eu precisava de um curso com matérias diferentes.

Então fiz Direito e me tornei um advogado. Mas meu foco sempre foi o rádio.


NaTelinha - E como surgiu sua primeira chance como artista?

Carlos Alberto - Eu era filho único, meu pai tinha um dos salários mais altos em rádio, e mesmo assim eu queria a minha independência.

Fui criado de uma forma magnífica, porém espartana... meu pai não me dava o peixe, mas me ensinava a pescar. Nunca tive nada de mão beijada.



Quando eu disse que queria trabalhar em rádio o mundo caiu porque como alguém que era gago poderia falar em uma rádio? Quando eu consegui minha primeira oportunidade na rádio Nacional, comecei a escrever as minhas falas, e por isso podia treinar antes de ir ao ar. 

A minha técnica era utilizar expressões que fluíam com mais facilidade, e aos poucos a gagueira foi passando. No dia 1 de maio de 1954 assinei meu primeiro contrato como redator e ator na rádio Nacional de São Paulo.


NaTelinha - Você cria os seus filhos na mesma linha do seu pai?

Carlos Alberto - Que nada, e isso é uma coisa que me chateia. É claro que meus filhos estudam e são preparados para a vida, mas sempre dei de tudo, sempre facilitei demais. Principalmente para os mais novos de 13 anos. 

Outro dia eu precisei ter uma conversa com a minha filha, porque não estou gostando da forma como ela está agindo. Mas a mãe dela é assim.

A Andrea é uma excelente mãe, muito cuidadosa com a saúde das crianças, sempre presente, mas esbanja demais, gasta demais com coisas desnecessárias.


NaTelinha - Falando na Andrea, como você está encarando a sua participação no programa “Aprendiz Celebridades” apresentado por Roberto Justus, na Record?

Carlos Alberto - É disso que ela gosta, quer ser famosa, aparecer nas revistas, frequentar festas. Isso acabou com o nosso casamento porque eu sou um homem tranquilo, não saio muito, não curto badalação. 

Mas se ela está feliz, então torço para que consiga o que quer. O que não estou gostando é da forma como o Justus está conduzindo a situação. Ele fala coisas que magoam. Se ele quer briga pela audiência então terá.


NaTelinha - Carlos Alberto de Nóbrega é um ícone da televisão brasileira e já trabalhou com personalidades que entraram para a história. Existe algum preferido?

Carlos Alberto - Essa pergunta até me emociona. Sinto falta de todos eles. Passaram pela minha vida pessoas tão maravilhosas e talentosas... Mas o Ronald Golias era único em todos os sentidos. Ele se tornou meu irmão espiritual e foi uma das pessoas mais importantes da minha vida.


NaTelinha - Você é uma pessoa realizada?

Carlos Alberto - Eu sou muito feliz e realizado, sim. Apesar de estar solteiro (risos). Estou sentindo falta de uma companheira.




NaTelinha - Existe alguma coisa que te preocupe atualmente?

Carlos Alberto - Eu estou com medo de morrer. Todos os anos eu faço um check-up porque cuido muito da minha saúde. 

Eu não bebo, não fumo, faço exercícios físicos e durante muitos anos da minha vida fui um exímio nadador... mas semanas atrás eu tive um susto muito grande quando após os exames de rotina o médico disse que havia constatado uma arritmia maligna, do tipo que não percebemos que temos e acabamos morrendo. Fiz um cateterismo e agora está tudo bem. 

Mas não nego que estou com muito medo de morrer. Tenho medo por causa dos meus filhos, ainda tenho duas crianças para criar. Eu tenho 78 anos e já estou na fila com a ficha na mão.


NaTelinha - Você herdou o ‘banco da praça’ do seu pai. E quem será o seu sucessor?

Carlos Alberto - O loirinho (risos). Meu filho Marcelo irá me substituir no programa quando eu me afastar, seja por qual motivo for. Ele é jovem (48 anos), profundo conhecedor da atração, um profissional extremamente competente e já aceitou ficar no meu lugar.


NaTelinha - Qual conselho você daria para quem está começando na carreira?

Carlos Alberto - O conselho que vou dar serve para os profissionais de qualquer área. Nunca saia de um emprego que te faz feliz por causa de dinheiro. Essa é a maior besteira que um profissional pode cometer.


LIQUIGÁS



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