A gravação fala sobre "entender
um pouco da vida e da morte".
De acordo com a assessoria de
imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a gravação
será encaminhada para perícia. "É prematuro dizer que essa música mudará
o rumo das investigações", disse o órgão.
O áudio foi divulgado
durante o programa "Domingo Show", de Geraldo Luís.
O perito Ricardo
Molina, convidado pela Record para comentar música deixada por MC
Daleste, disse ao UOL que o áudio foi um delírio do funkeiro gravado em 17 de julho de 2012 – quase um ano antes de ser assassinado.
"Essa é a data registrada no tablet em que a música foi encontrada
pela família.
Acredito que ele queria, inicialmente na música, falar do
futuro, mas se perdeu ao descrever.
Foi um delírio qualquer dele. Como
outras coisas que foram gravadas", disse Molina.
Em entrevista ao UOL,
o pai do funkeiro contou que o áudio foi encontrado meses depois da
morte do garoto de 20 anos.
Roland disse que a música é uma mensagem
deixada por Daleste. "Queria mostrar para o Brasil que ele gravou a
música enquanto morto.
Já Ricardo Molina acredita que a
música não sirva como prova ou análise da polícia no caso.
"Acho que
esse áudio não mudará em nada o andamento das investigações.
Só não foi
encontrado antes porque ficou em um diretório oculto do tablet",
finalizou.
O assassinato
Em 6 de julho do ano
passado, MC Daleste foi baleado dez minutos após o início de um show no
CDHU do bairro San Martin, em Campinas.
O cantor chegou a ser socorrido e
levado para o Hospital Municipal de Paulínia, mas morreu no centro
cirúrgico à 0h55. Logo após o ocorrido, fãs publicaram vídeos do momento
do disparo na internet.
Segundo Pegolo, Daleste ainda levou um tiro de
raspão, que atingiu sua axila direita, momentos antes do disparo fatal.
"Ele sentiu, mas, sem ver o ferimento, prosseguiu com a apresentação",
disse Pegolo. As investigações continuam.
"Meu irmão não tinha inimigos,
ele era da paz. Não consigo imaginar quem possa ter feito isso com ele.
Quero justiça. O criminoso tem que ser preso", afirmou ao UOL Rodrigo
Pellegrine, 26 anos, irmão e parceiro musical de Daleste. Rodrigo estava
no palco no momento em que o MC foi baleado.
Daleste, que
começou a carreira no bairro da Penha, em São Paulo, fazia parte do
grupo de funkeiros que canta "funk ostentação" ou "funk paulista",
em que temas de preocupação social dão lugar a letras sobre dinheiro,
marcas de roupa, carros, bebidas, joias e mulheres.
O funkeiro cantava
os hits "Gosto Mais do que Lasanha" e "Mais Amor Menos Recalque", esse
último já foi reproduzido mais de 1 milhão e 600 mil vezes no YouTube.
Em outra canção, "Apologia", o MC escreveu "Matar os policia é a nossa
meta / Fala pra nois quem é o poder / Mente criminosa coração bandido /
Sou fruto de guerras e rebeliões".

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