Pela proposta, terra onde houver trabalho escravo irá para reforma agrária.
Texto também expropriação onde há cultivo de plantas para fazer drogas.
O Senado aprovou nesta terça-feira (27) a proposta de emenda à
Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que permite a expropriação de
terras onde haja exploração de trabalho escravo.
O texto, que já passou
pela Câmara, foi aprovado em dois turnos pelos senadores e agora vai à
promulgação pelo Congresso, marcada para a próxima quinta-feira (5).
A proposta altera a Constituição Federal ao determinar que propriedades
rurais e urbanas de qualquer região do país onde houver exploração de
trabalho escravo serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a
programas de habitação popular.
Os proprietários dessas terras não
receberão indenização e estarão sujeitos às sanções já previstas pelo
Código Penal.
A PEC mantém a expropriação de terras nas quais são localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas, como maconha e coca, o que já
é previsto pela legislação atual.
O texto determina ainda que todos os
bens apreendidos em decorrência do tráfico drogas e da exploração do
trabalho escravo serão confiscados e destinados a um fundo especial.
Objeto de controvérsia entre ruralistas e defensores dos direitos
humanos, o acordo para votação da PEC só foi possível depois que os
senadores alteraram o texto para condicionar a aplicação da lei a um
projeto de regulamentação.
Tramita no Senado um projeto de lei destinado a regulamentar a PEC,
relatado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RO), que define o que é trabalho
escravo e estabelece que o mero descumprimento da legislação
trabalhista não caracteriza trabalho escravo.
O projeto atende a uma preocupação dos proprietários rurais, que temiam
que um simples ato administrativo lavrado por auditores fiscais do
trabalho levassem à expropriação da terra.
Alguns senadores, como Kátia Abreu (PMDB-TO) e Walter Pinheiro (PT-BA),
alegaram que o acréscimo do termo dá "segurança jurídica" aos
proprietários porque condiciona a expropriação à uma lei específica que
esclarece o que é trabalho escravo.
Já os parlamentares contrários alegam que a vinculação da PEC ao
projeto de regulamentação "anula" os efeitos da proposta.
"Esse termo
esteriliza a PEC, que passa a depender de regulamentação. Estamos
liquidando essa PEC", criticou o senador Roberto Requião (PMDB-PR).
Priscilla Mendes Do G1, em Brasília
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