domingo, 20 de setembro de 2015

Horizonte é de crescimento, mas também de desafios.


Parque de energia eólica no Rio Grande do Norte: O estado é líder em capacidade instalada, mas deve ser superado pela Bahia

   O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), divulgado esta semana, prevê expansão de 55% na capacidade instalada de geração de energia no Brasil até 2024, puxada principalmente por projetos de energia renovável como hidrelétricas e usinas eólicas. 

Essas usinas, que geram energia a partir do vento, se multiplicaram no Rio Grande do Norte nos últimos anos e a expansão não deve ser afetada nem com a entrada de grandes empreendimentos na matriz elétrica brasileira, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte – que será a terceira maior do mundo.

Apesar disso, segundo analistas do setor, os Estados interessados no segmento eólico, como o Rio Grande do Norte, que atualmente é líder no país em capacidade instalada, precisarão dar continuidade a projetos de infraestrutura e logística de transporte, além de inovação e capacitação de profissionais, para manter sua competitividade. 

O RN veio de um momento de franca expansão, com grandes investimentos em 2009 e 2010, mas, não repetiu os mesmos resultados nos últimos três anos. 

Como consequência, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), pelo número de projetos já contratados em fase de construção, até 2019 o RN perderá seu posto de líder em capacidade instalada para a Bahia. 

Contudo, essa mudança não afetará o crescimento do setor, que deverá contratar entre 4 e 6 Gigawatts (GW) até 2018. O mesmo vale para outras fontes, como a solar, que permanecem atraindo empreendedores. 

Em números, até 2019 e pelo que já está contratado, o Rio Grande do Norte passará de atuais 2,6 GW com 91 parques eólicos em funcionamento para 4,7 GW e 177 parques. No caso da Bahia, essa evolução seria muito superior. 

O Estado saltará de 1,1 GW e 46 parques para 4,9 GW e 210 parques, saindo da 4ª colocação entre os maiores geradores para o topo do ranking brasileiro. 

De acordo com Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica, este cenário, porém, pode ser modificado, em virtude dos próximos leilões e de uma maior participação dos governos estaduais. 

“O que tem acontecido nos leilões é um maior interesse na disponibilidade das linhas de transmissão. Em geral, Estados como a Bahia, o Rio Grande do Norte, têm tipos de ventos e atratividade dos parques muito semelhantes. 

Então, o diferencial são as linhas. Além, claro, de infraestrutura, como logística de cargas, por exemplo. 

O Estado tem que trabalhar nesse sentido, de ter atrativos”, comentou Gannoum.

A perspectiva é compartilhada por Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne). “O fato é que nós cochilamos. 

Desde 2011, lidamos com redes de transmissão atrasadas e outras  situações. Então, as nossas performances nos leilões caíram. E, como a maioria dos projetos são A-3 ou A-5, se você não ganha hoje, só vai sentir esse impactos bem depois. 

E é o que está acontecendo”, declarou. “O grande desafio para o setor potiguar é recuperar as condições atrativas de investimentos. A Sedec tem que procurar os gargalos antes que os problemas se tornem empecilhos. 

As linhas são federais, por exemplo, mas, o Governo tem que ir atrás, checar se está parado, se andou. É um trabalho de monitoramento”, acrescentou. 

A TN procurou o secretário de desenvolvimento econômico, Flávio Azevedo, por telefone, mas, não obteve sucesso. 


Plano para o setor é 'realista' e exequível antes do prazo


O Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE 2024, que contempla a projeção de ampliação da matriz energética brasileira, segundo especialistas do setor,  demonstrou o interesse do Governo Federal em diversificar suas fontes de energia e foi “realista”, com condições de ser cumprido até antes do prazo. 

Neste cenário, o Rio Grande do Norte, com a maior capacidade instalada de eólica no país e potencial solar para a geração fotovoltaica, abre margem para continuar ampliando o número de investidores e investimentos.

Pelo PDE 2024, formulado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia, dos 73 mil megawatts (MW) em  empreendimentos novos, 62,1 mil MW serão de energias renováveis, como hidrelétricas, eólicas, biomassa e solar. 

A participação das hidrelétricas na matriz brasileira, hoje em 67,6% (90 GW), passará para 56,7% (117 GW), enquanto a eólica saltará de 3,7% (5 GW) em 2014 para 11,6% (24 GW) em 2024.  

A menor participação das hidrelétricas, contudo, não representa um enfraquecimento do segmento. 

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Norte do Pará, será a terceira maior do mundo, com 11 GW de potência instalada. 

Ainda em fase de construção, segundo o Ministério de Minas e Energia, Belo Monte deverá iniciar suas operações no próximo mês de novembro, com as primeiras máquinas do Sitio Pimental, que contempla 233 MW. 

Já em março de 2016, a maior parte do complexo entra em funcionamento. Plena operação, contudo, apenas em 2017. 

O grande empreendimento que é Belo Monte, inclusive, é superior ao que está projetado pelo Programa de Investimento em Energia Elétrica (PIEE) de 2015 à 2018 para a energia solar (2 à 3 GW) e eólica (4 à 6 GW) no país. Apesar disso, os segmentos enxergam o futuro com otimismo. 

“O PDE 2024 confirma a intenção do Governo e foi uma decisão diversificada e acertada. 

O Brasil é cada vez mais um consumidor voraz de energia. E, independente da demanda e de crise econômica, é importante e necessário planejar e diversificar essa matriz”, comentou Jean-Paul Prates, presidente do Cerne. 

Para Jean-Paul Prates, essa expansão e diversidade de fontes na matriz brasileira, vale também para os Estados, que poderão ampliar sua oferta de serviços em cada segmento energético. 

 ”O RN hoje, ela está em 2,2 GW de capacidade eólica, mas, com investimentos planejados é capaz de atingir 7 GW”, analisou ele.  



Elbia Gannoum 
Presidente da ABBEólica



O que foi apresentado no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) deve ser atingido? 


Sim. Acredito, inclusive, que se confirme até antes do prazo projetado. O PDE 2024 prevê 24 GW de aumento na capacidade instalada, representando cerca de 12% da matriz elétrica brasileira. Nas nossas contas, da ABBEólica, com nosso crescimento médio atual, de 2,0% à 2,5% de contratação por ano, é possível atingir 20 GW já em 2019. Então, podemos até ultrapassar a marca projetada.  


A entrada de grandes empreendimentos, como a Usina de Belo Monte, na matriz elétrica brasileira pode afetar a atração de investimentos para o setor eólico? 


Belo Monte não prejudica em nada. Pelo contrário, ajuda. O Brasil é um país que tem uma necessidade de energia muito grande. Nenhuma fonte concorre com a outra. E, a eólica tem uma complementaridade muito grande com a eólica. É bom para o sistema. 


O Brasil ter perdido o grau de investimentos e a alta do dólar prejudicam esta expansão nos próximos anos? Os projetos em desenvolvimento podem ser atrasados? 


Com relação à perda do grau de investimento e taxa de câmbio, desde 2013, o índice de nacionalização das máquinas nos garante que 80% do material usado nos parques eólicos sejam nacionais, o que significa que nossa dependência do exterior é bem menor. Neste cenário atual, isto até ajuda, porque aumenta nossa competitividade. O contexto macroeconômico é que nos afeta um pouco, mas, vivemos uma ilha de prosperidade com as eólicas, é o único setor que realmente cresce. A crise está passando ao lado. 

Fonte:  tribuna do norte

livraria estudantil

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