Orçamento traz meta de déficit primário de R$ 30,5 bilhões
para o governo.
Entretanto, Levy reafirma que está buscando superávit de 0,7%
do PIB.
No mesmo dia em que a agência de classificação de risco
Standard & Poors anunciou a perda do grau de investimento para a economia
brasileira - um selo de bom pagador e uma recomendação para investir no país -
o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, informou que garantirá um esforço fiscal
maior, no ano que vem, do que aquele enviada por meio da peça orçamentária ao
Congresso Nacional.
"O projeto de lei orçamentária para 2016 incorpora
importante disciplina nas despesas discricionárias e esforços de gestão para
reduzir as despesas obrigatórias.
O processo para se garantir a meta de
superávit primário de 0,7% do PIB em 2016 será completado nas próximas semanas
com o envio de propostas na área de gastos e receitas discutidas com o
Congresso Nacional, em paralelo nos próximos meses a ações legislativas de
caráter estrutural para aumentar a eficiência, previsibilidade e produtividade
da economia", declarou, por meio de nota à imprensa.
A peça orçamentária de 2016 foi enviada ao Congresso
Nacional, pela primeira vez na história, com a previsão de déficit (despesas
maiores do que receitas).
A meta fiscal para o governo é de um déficit de R$
30,5 bilhões no ano que vem, o equivalente a 0,5% do PIB.
Para todo o setor
público (envolvendo estados, municípios e empresas estatais), a meta é de um
resultado negativo de R$ 21,1 bilhões, ou 0,34% do PIB, em 2016.
Nas últimas semanas, o governo tem anunciado a intenção de
encontrar novas formas de receita para equilibrar o Orçamento vem, inclusive
sendo defendida em público pela presidente Dilma Rousseff como forma de evitar
o déficit no Orçamento de 2016.
Dilma avaliou recentemente o governo cortou
"tudo que poderia ser cortado", nas palavras de Dilma.
Entre as ideias, surgiu a possibilidade de retomada da CPMF
e, nesta semana, de aumento do Imposto de Renda.
Os parlamentares, porém, não
têm demonstrado apoio a eventuais aumentos de tributos e têm defendido um corte
maior de gastos. Mesmo com déficit, a peça orçamentária de 2016 embute aumento
de despesas.
Compromisso fiscal
O ministro da Fazenda informou ainda que o governo brasileiro
reafirma seu compromisso com a consolidação fiscal.
"O governo entende que
o esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia em um ambiente global
de incerteza e, juntamente com iniciativas microeconômicas, aumentar a
produtividade do país e criar as condições para a retomada do crescimento na
esteira do fim do boom das commodities", acrescentou.
Segundo Joaquim Levy, esse esforço "complementa" as
medidas macroeconômicas tomadas desde o começo do ano que "já tem se
refletido no processo de reequilíbrio das contas externas e na queda das
expectativas de inflação para 2016 e 2017 entre outros indicadores".
"O esforço fiscal em 2015 se traduziu na redução de subsídios em empréstimos,
o corte de R$ 78 bilhões de despesas discricionárias e na votação de
importantes medidas de redução de renúncias fiscais e reforma do seguro
desemprego e pensões", avaliou ele.
Contas públicas
As contas de todo o setor público (governo, estados,
municípios e empresas estatais) registraram em 2014 o primeiro déficit primário
(receitas menos despesas, sem contar juros) da história em 2014.
No ano
passado, o déficit primário foi de R$ 32,53 bilhões, ou 0,63% do PIB, em todo
ano passado.
Em 2015, as contas públicas registraram, de janeiro a julho,
o pior resultado da série histórica, que começa em 2001, para este período.
Em
12 meses até julho, houve um déficit primário de R$ 50,99 bilhões, ou 0,89% do
PIB, também o pior resultado da série histórica para este indicador.
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta, no
conceito conhecido no mercado como resultado "nominal", houve déficit
de R$ 502 bilhões em 12 meses até julho, o equivalente a expressivos 8,81% do
PIB.
Trata-se, também, do pior resultado da história. Esse número é acompanhado
com atenção pelas agências de classificação de risco na determinação da nota
dos países.
Ajuste fiscal
Desde o início do ano, em uma tentativa de melhorar os
resultados das contas públicas, foram aumentados tributos sobre empréstimos,
carros, cosméticos, cerveja, vinhos, destilados, bancos, receitas financeiras
das empresas, taxas de fiscalização de serviços públicos, gasolina e
exportações de manufaturados, entre outros.
Também foram promovidas limitações de benefícios sociais,
como seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte, além
de aumento da tributação sobre a folha de pagamentos. Todas estas medidas já
passaram pelo crivo do Congresso Nacional.
Fonte: Alexandro Martello Do G1, em Brasília.

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