Genebra - Oitenta e quatro
milhões de brasileiros ainda não tem acesso à internet.
Dados publicados
ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que, se a rede
mundial de computadores progrediu de forma importante nos países em
desenvolvimento nos últimos anos, um número grande de pessoas ainda não
está conectado e o avanço da rede perde fôlego.
No planeta, 57% da
população continuam off-line pelo mundo - cerca de 4 bilhões de pessoas.
No total, 3,2 bilhões de pessoas - 43% do planeta - estarão conectadas
ao final do ano, contra 2,9 bilhões em 2014. Se até 2012 as taxas de
expansão superavam a marca de 10%, hoje ela não atinge nem mesmo 7%.
"O
crescimento da internet está perdendo força", alertou Phillippa Biggs,
autora do informe. Ana Silva.Entre países emergentes, Brasil ocupa o 32º lugar em termos de internet instalada em domicílios.
Os
dados foram apresentado pela Comissão de Banda Larga pelo
Desenvolvimento Digital, criada pela ONU para fazer avançar o acesso à
tecnologia e como base para a Assembleia Geral das Nações Unidas, que
ocorre a partir da semana que vem.
A conclusão também aponta que a
disparidade é ainda profunda entre países ricos e em desenvolvimento.
Se nos mercados desenvolvidos existe praticamente uma "saturação", nos
países pobres a taxa de penetração é de apenas 35%.
Na Islândia, a taxa
de usuários da rede é de 98% contra 96% na Noruega e Dinamarca. Mas
apenas 79 dos 194 países no mundo têm mais de 50% de sua população
conectada.
Na Guiné, em Somália, em Burundi, no Timor Leste e na
Eritreia, menos de 2% dos cidadãos têm acesso à rede.
O Brasil
vem em uma posição intermediária. Com 57% da população com acesso à rede
ao final de 2014, o país aparecia na 68ª colocação mundial,
praticamente empatado com a Venezuela.
Arábia Saudita, Argentina,
Azerbaijão e Bósnia teriam uma maior penetração da internet entre os
habitantes que o Brasil.
Entre os emergentes, o país aparece
como o 32º colocado em termos de internet instalada em domicílios.
Ao
final de 2014, essa taxa era de 48%, contra 98% na Coreia ou 60% na
Turquia.
Apenas 11% da população tem banda larga instalada em suas
residências, contra 24% no Uruguai e mais de 40% na Suíça, na França ou
na Holanda.
Em um aspecto, porém, o Brasil vem avançando de forma
importante: a conexão à internet pelo celular: 78% dos usuários contam
com acesso rápido, o que coloca o Brasil na 27ª colocação no mundo,
superando vários países europeus, como Itália, França ou Alemanha.
De
fato, o uso do celular é uma das principais apostas dos especialistas
para permitir uma nova expansão da internet. Para Biggs, tudo indica que
o avanço dessa tecnologia seja a mais rápida da história.
Se
para ter 1 bilhão de linhas telefônicas fixas o mundo levou 125 anos, o
acesso da internet pelo celular pode atingir 1 bilhão de usuários em
apenas cinco anos. Ainda assim, existem incertezas sobre o número real
de celulares circulando pelo planeta.
Segundo Biggs, a empresa Ericsson
indicou que existiam 7 bilhões de celulares no mundo.
Mas apenas 5
bilhões de assinantes, "Mas estudos apontam que o número real seria bem
menor, de apenas 3,7 bilhões de usuários", alertou.
Outro
desafio é o custo. Em quatro anos, o custo da banda larga caiu em 40%.
Mas mais da metade do mundo ainda não tem dinheiro para ter internet
fixa em casa.
Um dos obstáculos apontados é a dificuldade de garantir
que a rede seja levada para as zonas rurais, enquanto empresas de
telefonia e de tecnologia alertam que seus lucros estão cada vez menores
para justificar investimentos.
Diante de todos esses desafios, a
ONU já admite que a meta estabelecida para incrementar o acesso de
pessoas à rede terá de ser adiado.
Em 2012, a perspectiva era de que 60%
das residências teriam internet até 2015.
Mas essa taxa será de menos
de 46%, e a meta apenas será atingida em 2021.
Ontem, o Comitê
Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou pesquisa mostrando que a
proporção de estudantes e professores que usam internet pelo celular
cresceu nos últimos anos.
Entre alunos de escolas públicas, o percentual
chega a 79% e em colégios particulares, 84%.
Entre os professores, o
percentual passou de 36%, em 2013, para 64%.
Fonte: Agência Estado

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