Pelo menos 89% dos brasileiros dizem estar em dificuldade
para quitar suas dívidas.
Para solucionar seus problemas de endividamento, 20%
dos entrevistados disseram ter vendido algum bem nos últimos 12 meses.
Em parte, isso é explicado pela percepção de queda da renda
com perda do poder de compra, apontados pelo estudo Retratos da Sociedade
Brasileira – Renda e Endividamento, divulgado hoje (9) pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento, 42% dos brasileiros consideram que
sua renda diminuiu nos últimos 12 meses.
Deste total, 22% avaliam que a renda
caiu muito e 20% dizem acreditar que a renda diminuiu pouco. No mesmo período,
59% perceberam piora no poder de compra.
Quanto menor a renda familiar, maior a percepção de que sua
renda foi reduzida ao longo do tempo – no caso, essa é a situação em que se
encontram 35% das pessoas com renda familiar superior a cinco salários-mínimos,
e 46% dos com renda familiar inferior a um salário-mínimo.
No que se refere ao poder de compra, 59% dos entrevistados
disseram ter percebido piora ao longo dos últimos 12 meses – para 34% a
sensação é de muita perda, enquanto para 25% a sensação é de pouca perda.
Os moradores do Sudeste e do Sul do país são os que mais
sentiram o problema - 65% dos
entrevistados em cada região.
Os do Nordeste foram os que menos perceberam a
queda do poder de compra (51%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o índice está
em 56%.
Com a perda do poder aquisitivo, 29% disseram ter sentido
dificuldade para pagar aluguel ou prestação da casa própria.
Em setembro de
2012, o índice correspondia a 19% e, no mesmo mês de 2013, a 16%. Entre os
entrevistados na atual pesquisa, 57% disseram não ter dificuldades com esse tipo
de dívida – percentual inferior aos registrados em 2012 (67%) e 2013 (76%).
De acordo com a pesquisa, esse tipo de dificuldade atinge
mais intensamente aqueles que vivem em cidades com mais de 100 mil habitantes
(31%), do que os que moram em municípios com até 20 mil habitantes (23%).
Mas
60% das pessoas dizem ter passado por dificuldade para pagar as contas ou
compras a crédito. Em 2012 o percentual estava em 45% e, em 2013, 47%.
A expectativa para 45% dos entrevistados é que, nos próximos
seis meses, a renda não sofrerá alterações.
No entanto, 37% acreditam que ela
diminuirá e 14% que a renda aumentará. De acordo com a CNI, a preocupação em
perder o atual padrão de vida atinge 83% dos entrevistados em 2015. Em 2009 o
índice estava em 90% e, em 2012, 76%.
A pesquisa identificou que 37% dos entrevistados se
endividaram nos últimos 12 meses com o objetivo de cobrir despesas ou as de sua
família. Em 2012, 30% deles se encontravam nessa situação, passando a 34% no
ano seguinte.
Segundo o levantamento, 34% dos brasileiros ficaram mais
endividados nos últimos 12 meses, sendo 11% muito mais endividados e 23% mais
endividados. Ao longo do período, o problema atingiu mais mulheres (37%) do que
homens (32%).
Entre os entrevistados que disseram ter aumentado suas
dívidas, 53% avaliam que isso aconteceu sem planejamento, em função de alguma
dificuldade ou necessidade não prevista.
A maior parte das dívidas foi em
decorrência do aumento das despesas (82%), e 43% dizem foi devido à redução da
renda.
O pagamento de dívidas anteriores foi o fator que mais
contribuiu para o aprofundamento das dívidas dos brasileiros nos últimos 12
meses, correspondendo a 30% das citações.
Em segundo lugar estão os pagamentos
de gastos correntes da casa, como aluguel, água, luz, telefone e compras do
mês, com 28% de registros.
A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Renda e
Endividamento entrevistou, entre os dias 18 e 21 de julho, 2002 pessoas em 141
municípios. A CNI divulgou também uma outra frente da pesquisa Retratos da
Sociedade Brasileira, na qual aborda questões relativas ao mercado de trabalho.
Fonte: Agência Brasil

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