quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Diferença entre preços vai a 377%, volta as aulas.


Elizangela Pirró (E) fez as contas e vai precisar de mais R$ 780 para comprar todo material da filha
Elizangela Pirró (E) fez as contas e vai precisar de mais R$ 780 para comprar todo material da filha.

      A caçada por material escolar é uma sucessão de surpresas. Em uma determinada livraria no bairro do Alecrim, é possível encontrar uma régua plástica transparante de 30 centímetros por R$ 0,27. 

Se o consumidor mudar o bairro e a região, o preço pode dar um salto de 377,78%. 

É exatamente o que ocorre no bairro de Capim Macio, onde uma livraria vende a régua da mesma marca por R$ 1,29. 

Essas diferenças de preços foram constatadas por uma pesquisa do Procon Natal realizada neste mês. 

A régua não é o único material escolar que apresenta essas disparidades abissais. 

Um conjunto de canetas hidrográficas – mais conhecidas como hidrocor - pode ter ser encontrada numa determinada livraria no conjunto Panatis 1 por R$ 2,39. 

Mas em outra loja, no centro da cidade, o mesmo produto é vendido por R$ 9,17. 

A diferença é de 283%. O resultado da pesquisa do Procon Natal reforça a necessidade de o consumidor visitar mais de uma loja para levar produtos mais em conta.

Exemplo disso, é a assistente administrativo Elizangela Anaya Pirró. Só na tarde de ontem, ela percorreu quatro livrarias, junto com a filha adolescente, na caçada pelo melhor preço. 

“Eu costumo pesquisar e comprar tudo num lugar só, porque às vezes você ganha preço no caderno e perde na caneta. Então, não vale a pena comprar um pouco em cada uma”, opinou.

Além disso, o poder de barganha do consumidor é bem maior quando ele vai comprar  um valor mais alto. 

“Se você vai comprar R$ 10 numa loja vai ter um poder de barganha bem menor se você comprar R$ 100 num único lugar”, confirma Bira Marques, proprietário de uma das principais livrarias de Natal localizada no centro da cidade.

Apesar de visitar as livrarias em todas as épocas do ano, a professora Daniela Modesto, de 45 anos, se surpreendeu com o preço dos livros, o tipo de material tradicionalmente mais caro. 

“Teve um livro de empreendedorismo bem fino que é R$ 89. Eu quase cai pra trás quando vi esse preço. No ano passado, ele custava menos de R$ 60”, contou.

As mães entrevistadas para este reportagem não comentaram sobre a cobrança de materiais incoerentes com a necessidade educacionais dos filhos. 

Desde 2010, a lei municipal 6.044 proíbe a inclusão de material de expediente da escola na lista entregue aos pais. Mesmo assim, Daniela Modesto acredita que a escola do seu filho abusa de algumas exigências. 

“Sou sismada com os livros paradidáticos. Eles mandam comprar três todo ano, mas usam, no máximo, um. 

E isso tem ocorrido todo ano”, reclamou. Além disso, a professora afirma que a escola não verifica se os livros estão disponíveis no mercado ou não. 

“Teve um livro que eu só consegui comprar em 2015 já no meio do ano letivo, porque não tinha na internet nem em canto nenhum pra comprar”, acrescentou.

O Procon Natal entrou em campo para colher as informações   entre os dias 8 e 12 desse mês. No total, foram pesquisados 36 itens da lista de material escolar em 11 livrarias e papelarias de Natal.

Material importado

De acordo com Bira Marques, proprietário de uma livraria de Natal, praticamente todo o material escolar vendido no Brasil é importado, com exceção dos cadernos e mochilas. 

Como parte considerável das livrarias compram o material no segundo semestre do ano, não  foi possível fugir da variação do dólar.

“É impossível comparar algum tipo de material escolar em alta e não repassar para o consumidor final. Em junho ainda tinha alguns preços estáveis. 

O caderno e mochila é possível comprar antes em feiras no Brasil, mas o resto não”, explicou.

Marques acredita que os produtos escolares estão entre 10% e 15% mais caros que no ano passado. 

As mães concordam que o aumento nesse ano foi maior que em anos anteriores. 

A professora Daniela Modesto, por exemplo, calcula que gastará R$ 300 a mais que em 2016. 

Elizangela Pirró fez as contas e chegou a conclusão que vai precisar de mais R$ 780 para comprar tudo, incluindo as apostilas de ensino médio da filha.  

O Procon Natal não comparou os preços do ano passado com os de 2016.  

postado por cicero luis
Fonte: tribuna do norte

livraria estudantil

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