processo.
Whelan é acusado de integrar máfia de venda ilegal de ingressos para a Copa. Executivo responderá ao processo em liberdade.
Raymond Whelan deixa prisão no Rio após liminar do STF
O inglês Raymond Whelan deixou às
14h40 o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do
Rio, nesta quarta-feira (6).
Ele estava preso desde o dia 14 de julho.
O executivo da Match Services, empresa licenciada pela Fifa para a
venda de ingressos, é apontado pela Polícia Civil como integrante de uma
máfia de cambistas.
O argelino Mohamed Lamine Fofana e outros 10
integrantes também são réus no processo. Destes, apenas o advogado José
Massih já estava em liberdade por ter colaborado com as investigações.
A saída de Whelan ocorre menos de 24 horas depois da liminar concedida
pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal.
O
ministro argumentou que o inglês não deveria ficar preso antes do
julgamento. Ele escreveu que a regra é apurar para, selada a culpa,
prender.
Esta é segunda vez que o inglês consegue um habeas corpus. Na primeira
vez que foi detido, em 7 de julho, ele passou menos de doze horas na
prisão.
Depois de ter a prisão preventiva decretada pela Justiça do Rio no dia
10 de julho, passou a ser considerado foragido ao deixar o Hotel
Copacabana Palace, onde estava hospedado.
O executivo saiu por uma
portaria destinada a funcionários, acompanhado do advogado, Fernando
Fernandes. No dia 14 de julho, ele se apresentou ao Tribunal de Justiça
do Rio e foi levado para Bangu.
O advogado de Raymond Whelan, Fernando Fernandes, disse em nota que o
habeas corpus prova que a prisão de Whelan é ilegal e, portanto, a saída
dele do hotel não pode ser considerada fuga.
Fernandes afirmou ainda
que vai pedir o arquivamento das denúncias contra o executivo.
Para o Ministério Público, o entendimento é que mesmo com o habeas
corpus a prisão do inglês foi legal e que nada impede o andamento das
investigações.
“As investigações continuam, independente da soltura do Whelan. Nós
iremos provar judicialmente todas as acusações que foram formuladas com a
competente ação penal”, afirmou o promotor Marcos Kac.
O esquema
Na
segunda-feira (7), Raymond Whelan chegou a ser preso também, mas foi
solto na madrugada de terça-feira (8) depois de obter um habeas corpus
na Justiça do Rio.
Com a listagem de celulares da Fifa em mãos, um dos agentes policiais
digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lamíne Fofana o
prefixo 96201, que precede os telefones da entidade. Apareceu, então, o
nome "Ray Brazil", para o qual havia 900 registros entre telefonemas e
mensagens.
Ao todo, a operação está lendo e escutando 50 mil registros
telefônicos, dos quais mais de 50% já foram apurados.
Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em
Copacabana, interditadas pela polícia, faziam contato com agências de
turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.
Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a
Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão
técnica da Seleção Brasileira – desde bilhetes de camarotes até entradas
de assentos superiores.
Uma entrada para a final da Copa no Maracanã
chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milhão
por jogo.
Segundo a polícia, Fofana também conseguia entradas vendidas pelos
agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo,
controlados pela Match Hospitality.
Até carro forte foi usado para
abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da
abertura à final do torneio.
Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso, os presos já
atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a
quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Copa do Mundo.
Os presos
Além de Fofana e Whelan, estão presos o policial militar reformado
Oséas do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Antônio Henrique de Paula
Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique
tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pavão
da Costa Carvalho; Sérgio Antônio de Lima, que teria tentado subornar um
dos agentes; Ernane Alves da Rocha Júnior; Júlio Soares da Costa Filho;
Fernanda Carrione Paulucci e Alexandre da Silva Borges.
O advogado
José Massih responderá ao processo em liberdade por ter colaborado com
as investigações.
fonte: g1 rn

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